By Google: medo mórbido de permanecer em espaços fechados.
Verdade, tenho que concordar com o Google, mas é além de "espaços fechados". Não é só porque você está numa sala com janelas e portas trancadas. Oh não.... é muito mais louco do que isso.
Pensa numa situação: você senta numa sala de aula, está calor, então as janelas estão abertas, daí a sala vai enchendo, enchendo, alunos vão sentando nas cadeiras que estão do seu lado, na sua frente. Isso é normal, qual o problema disso? A janela está aberta, a porta tá ali, é só você pedir licença e sair se precisar.
SQN (só que não). Infelizmente não é assim se você tem claustrofobia.
No meu caso, isso é um pesadelo! O fato de ter cadeiras e pessoas ao meu redor, dificultando minha passagem acaba comigo.
Como assim?
Nessa parte entra minha ansiedade, ela não deixa meus pensamentos em paz, ela fica martelando coisas, hipóteses, situações loucas e improváveis e cochichando "não vai dar certo, não vai..."
Daí, estou lá sentada, querendo prestar atenção na aula, mas só penso em "se eu passar mal e precisar sair correndo não vou conseguir, tem 3 pessoas do meu lado, e aquele último está com a perna cruzada!". "E se tiver uma emergência, eu não vou conseguir sair daqui!". "E se me der uma dor de barriga?". "Olha, tem uma cadeira na frente da porta, não vou conseguir sair..."
Todos esses pensamentos vão se acumulando, se somando. No final, eu já não consigo prestar atenção à aula, apenas a esses pensamentos.
Durante esse primeiro semestre, por três vezes perdi a consciência na sala de aula. Foram apagões rápidos, as pessoas pensaram que eu estava cochilando. E em todas as vezes a sala estava cheia, tinha pessoas no caminho até a porta.
Metrô lotado. É desconfortável para qualquer um. Aquilo é impossível! Credo!
Mas para pessoas como eu é muito, muito pior. Eu entro no vagão, até então é tranquilo. Entra gente, depois entra mais gente, daí mais pessoas entram e na próxima estação toda a torcida do Corinthians entra também. Fica quente, fica sem espaço, as pessoas estão uma sobre a outra.
Só que pode piorar, se a sua cabeça não te ajuda ela piora muito a situação. Então fico sem ar, não consigo respirar, não consigo fazer meus pulmões se mexerem (é como se eles estivessem comprimidos). O lugar vai ficando cada vez mais quente. Minha pressão despenca e tenho certeza que vou desfalecer.
Isso já me aconteceu em show, em metro, em ônibus. E em todas as vezes em ficava tão mal que já chegou no ponto de um segurança do metrô achar que tinham me estuprado no vagão....
É difícil explicar, as pessoas acham que frescura, que é besteira pois você "não está acostumada". Só que não é. Simplesmente não é.
terça-feira, 26 de junho de 2018
Diário de uma depressão (parte 4) - Alimentação
Pode parecer, mas isso não é uma liquidação de remédios usados!
Esses são os remédios receitados para mim nas 4 vezes que fui ao médico por problemas alimentares.
Eu estava vomitando tudo o que eu comia, até o que eu nem comia (por exemplo, eu já acordava enjoada, abraçada na privada) - e antes que alguém pense, comente, ou afirme: NÃO, NÃO ESTOU GRÁVIDA.
E isso por semanas! Por 3 semanas para ser mais precisa.
"Nossa, que delícia, pastel" - lá se foi o pastel 10 minutos depois.
"Oba! Rodízio japonês!!!" - adeus almoço gostoso, hora de dar tchau.
"Vou comer algo leve, um abacate com açúcar e vou tomar chá." - blaaaaah, nem frutinha ficava no estômago
Ok, estava de saco cheio e fui no pronto socorro. Sei lá, quem sabe era uma infecção, um problema no fígado, um cálculo, um câncer, um aliens....
Na primeira consulta: "hummm não deu nada na sua urina, não deu nada no seu exame de sangue, nem no ultrassom. Vamos tratar como uma gastrite." - ok, não seria a primeira, nem a segunda vez que a minha gastrite dá um "oi". Mas eu sabia que não era. Não tinha queimação, e tanto fazia comer limão ou gelatina, eu passava mal da mesma forma.
Uma semana depois, depois de até passar mal com o remédio de enjoo inclusive, voltei no Pronto Socorro. Os mesmos exames, e os mesmos resultados. "Vamos usar um remédio que deixa a comida menos tempo no seu estômago, assim evita de você vomitar." - adorei a ideia!!! - "E outra, você já teve aquelas doideiras de bulimia, anorexia, etc???"
-- Isso me deu estalo! Sempre que eu fico MUITO, mas MUITO ansiosa / estressada / nervosa eu vomito. Hummm.... Poderia ser psicológico???? Mas e essa dor que sinto? Nem estou tão nervosa assim, isso é físico! ---
Bem, pela primeira vez um médico me sugeriu que eu procurasse um psiquiatra. Mas mesmo assim ela falou para que eu marcasse um clínico geral para investigar melhor.
Nessa altura eu já tinha emagrecido 8 kg.
Então tá, vamos fazer mais exames, receber mais resultados negativos. Fui num clínico geral, num gastro, fiz endoscopia, mais ultrassom, mais exame de sangue..... Depois de 5 meses nessas idas e vindas, desisti. Realmente, problema físico eu não tinha nenhum!
Tudo o que eu sentia eram reações da minha ansiedade, da minha depressão.
Eu não podia mais controlá-la e ela dominava não só minha mente, mas meu agora corpo também. Nem preciso dizer que ter consciência disso me deixou mais depressiva.
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Diário de uma depressão (parte 3) - Ansiedade
By Google: Distúrbio de saúde mental caracterizado por sentimentos de preocupação, ansiedade ou medo que são fortes o bastante para interferir nas atividades diárias
Verdade. A mais pura verdade.
Mas ainda assim não explica tão bem o que é essa tal de ansiedade, ou melhor "transtorno de ansiedade", pois a ansiedade em si todos tem, isso é normal. O probleminha dela é quando ela cresce de uma forma que ganha força e vence seu corpo e mente.
"Vou falar em público" - ok, super normal, suas mãos podem suar, sua voz tremer, até sua mão e pernas tremerem. Ter aquele frio na barriga, quem nunca?
"Vou viajar" - ok, é natural ter aquele medinho de "será que a alfândega vai me liberar? Acho que eu peguei todos meus documentos, né?
Essas são situações normais onde a ansiedade é comum, natural.
Mas para um ansioso a coisa é tão diferente:
"Vou falar em público" - oh não, calma, respira. Ai droga estão olhando para minha cara, onde eu tenho que começar? Eu não enxergo. Não estou vendo nada! Fica calma, pelo amor de deus.... Falei errado! Não acredito! É claro que vou perder pontos! Meu grupo todo vai perder pontos! Falei errado de novo!!! Eu deveria ter feito esse trabalho sozinha, como vou olhar para o meu grupo..........
"Vou viajar" - certo, documentos, aqui. Documentos, onde estão? Aqui! Tá! Fica calma, estou ficando com cara de suspeita. Ai droga! Será que vão me interrogar pois vão pensar que sou terrorista? Não é claro que não! Mas do jeito que estou suando e andando vão sim. Anda direito! Mas como é que se anda direito? Eu sei, eu sei... Serei deportada, nunca mais vou viajar........
Bem, se essas paranoias ficassem só na cabeça, eu ficaria feliz, juro!
Mas não. Você vomita, dá dor de barriga, fica branca, transpira, você perde a visão, a audição, os nervos (é capaz de gritar só por que se sentiu ofendida, sei lá). Você perde seu próprio controle.
E são em TODAS as situações.
Entro num ônibus: esse é o ônibus certo? será que eu não me confundi? e se eu me confundi? espera, estou indo para lugar x, então tenho que pegar linha xy. Eu vi, era linha xy. - nisso a ânsia de vômito já aparece
Tenho médico: vou falar sobre sintomas x e y. Tá, mas e se ele não achar relevante, vou falar sobre o sintoma z também. Mas o sintoma z é de outra especialidade. Falo ou não falo. Se eu não falar ele pode pensar que tenho tal coisa..... E assim vai, já passei uma noite em claro imaginando situações hipotéticas, conversas hipotéticas.
O que fazer?
Sei lá eu!!! Se eu soubesse escreveria um livro e ficaria ricaaaa!
O melhor é entender que uma pessoa ansiosa é meio paranoica e pode se desesperar por qualquer, qualquer coisa.
Então tente fazê-la ver que a tempestade não é tão grande, e qualquer coisa você estará lá para ajudá-la.
Ela pode vomitar, correr para banheiro, ter crises de enxaqueca. E para isso não tem muito o que fazer, então a conforte para que ela saiba que tem com quem contar.
Verdade. A mais pura verdade.
Mas ainda assim não explica tão bem o que é essa tal de ansiedade, ou melhor "transtorno de ansiedade", pois a ansiedade em si todos tem, isso é normal. O probleminha dela é quando ela cresce de uma forma que ganha força e vence seu corpo e mente.
"Vou falar em público" - ok, super normal, suas mãos podem suar, sua voz tremer, até sua mão e pernas tremerem. Ter aquele frio na barriga, quem nunca?
"Vou viajar" - ok, é natural ter aquele medinho de "será que a alfândega vai me liberar? Acho que eu peguei todos meus documentos, né?
Essas são situações normais onde a ansiedade é comum, natural.
Mas para um ansioso a coisa é tão diferente:
"Vou falar em público" - oh não, calma, respira. Ai droga estão olhando para minha cara, onde eu tenho que começar? Eu não enxergo. Não estou vendo nada! Fica calma, pelo amor de deus.... Falei errado! Não acredito! É claro que vou perder pontos! Meu grupo todo vai perder pontos! Falei errado de novo!!! Eu deveria ter feito esse trabalho sozinha, como vou olhar para o meu grupo..........
"Vou viajar" - certo, documentos, aqui. Documentos, onde estão? Aqui! Tá! Fica calma, estou ficando com cara de suspeita. Ai droga! Será que vão me interrogar pois vão pensar que sou terrorista? Não é claro que não! Mas do jeito que estou suando e andando vão sim. Anda direito! Mas como é que se anda direito? Eu sei, eu sei... Serei deportada, nunca mais vou viajar........
Bem, se essas paranoias ficassem só na cabeça, eu ficaria feliz, juro!
Mas não. Você vomita, dá dor de barriga, fica branca, transpira, você perde a visão, a audição, os nervos (é capaz de gritar só por que se sentiu ofendida, sei lá). Você perde seu próprio controle.
E são em TODAS as situações.
Entro num ônibus: esse é o ônibus certo? será que eu não me confundi? e se eu me confundi? espera, estou indo para lugar x, então tenho que pegar linha xy. Eu vi, era linha xy. - nisso a ânsia de vômito já aparece
Tenho médico: vou falar sobre sintomas x e y. Tá, mas e se ele não achar relevante, vou falar sobre o sintoma z também. Mas o sintoma z é de outra especialidade. Falo ou não falo. Se eu não falar ele pode pensar que tenho tal coisa..... E assim vai, já passei uma noite em claro imaginando situações hipotéticas, conversas hipotéticas.
O que fazer?
Sei lá eu!!! Se eu soubesse escreveria um livro e ficaria ricaaaa!
O melhor é entender que uma pessoa ansiosa é meio paranoica e pode se desesperar por qualquer, qualquer coisa.
Então tente fazê-la ver que a tempestade não é tão grande, e qualquer coisa você estará lá para ajudá-la.
Ela pode vomitar, correr para banheiro, ter crises de enxaqueca. E para isso não tem muito o que fazer, então a conforte para que ela saiba que tem com quem contar.
domingo, 6 de maio de 2018
Diário de uma depressão (parte 2) - Perguntas
Tem algumas coisas que nunca se deve dizer a alguém que está em depressão.
Na verdade são várias coisas, mas hoje vou me focar em duas em específico, pois isso me que fez ver como as pessoas não entendem NADA sobre a depressão:
"Comece a ajudar os animais e pessoas mais necessitadas que vc, que esse seu "estado de carência" vai desaparecer paulatinamente."
Como começar? Tem tanta coisa errada nesse conselho.... First of all: se você não conhece a pessoa e os problemas que geraram e que geram essa depressão, evite dar qualquer conselho! Sério, qualquer um! Exemplos:
"saia com seus amigos" - cara, a pessoa pode estar assim justamente por não achar que tem amigos.
"fique com sua família" - dude, as vezes o maior problema dessa pessoa é o convívio familiar.
"saia mais, viaje" - a pessoa pode estar mal pois não tem grana para sair, para viajar, para nada.
"ajude animais e pessoas mais necessitadas" - pqp, estou ficando louca ajudando meu avô de 89 anos com demência, meu cachorro morreu de uma forma horrível no final do ano passado e para a grande surpresa geral da nação eu sou hiper empática, portanto eu me sinto mal por estar mal sabendo que tem pessoas que deveriam estar pior que eu.
Essa coisa chamada depressão é uma doença. Você pediria para alguém que está com uma bela gripe, ou seja, com dores no corpo, febre, dor de cabeça e tal, ir ajudar uma pessoa com dengue hemorrágica, pois ela está num estado bem pior e isso a fará se sentir melhor? Como isso fará a pessoa se sentir melhor??? É capaz dela desmaiar no colo da outra pessoa, pois mesmo sendo uma "gripinha" ela está fraca e doente. Que tal um melhorar primeiro para ajudar o outro?
Depressão não é "estado de carência"! É você se sentir sozinha, se sentir invisível, se sentir sem valor, sem importância. As pessoas conversam com você, elas ficam do seu lado por um tempo, mas você sabe que ela irão embora, que é momentâneo, que você não pode de fato contar com elas, pois o que são você e seus problemas para elas? Oras, nada. Cada um tem sua vida. E quem está com depressão perdeu as rédeas da sua vida.
Eu quero sair, eu quero fazer coisas, mas quando eu começo a me mexer para fazer isso meu corpo desaba e fico deitada na cama, o dia todo se me deixarem.
Então, se você quer dar um conselho, fala para a pessoa procurar ajuda, indique profissionais da sua confiança, leve a pessoa até lá. Não sugira que ela saia, faça ela sair, não espere ela pedir uma carona, pois ela NÃO vai pedir enquanto estiver no buraco profundo da depressão.
"Você está melhor?" daí no dia seguinte: "Você está melhor?"
Segredo: Depressão não melhora do dia para noite. É loooongo tratamento. Então não, NÃO estou melhor (ainda). E se amanhã for perguntado isso novamente, a resposta ainda será NÃO.
Mas respondemos que sim, que estamos melhorando, que estamos levando, tudo isso para tentar parar de ouvir essas perguntas. Se você sabe que a pessoa está depressiva, então não pergunte sobre isso, fale de outras coisas, qualquer coisa. Visite a pessoa, traga algo para ela (um bibelô, um doce, uma quinquilharia qualquer), faça a pessoa se sentir importante e não uma pessoa doente, um problema. Ela está convivendo com esse problema, então não fique lembrando disso a todo momento.
Antes de passar por isso eu também fiz isso, achava que mostrando interesse, perguntando como a pessoa estava ajudava, mas descobri que não. Enfim, vivendo, sentindo na pele e aprendendo.
Bem, hoje foi isso, umas dicas sobre como tratar com um depressivo! ;)
Na verdade são várias coisas, mas hoje vou me focar em duas em específico, pois isso me que fez ver como as pessoas não entendem NADA sobre a depressão:
"Comece a ajudar os animais e pessoas mais necessitadas que vc, que esse seu "estado de carência" vai desaparecer paulatinamente."
Como começar? Tem tanta coisa errada nesse conselho.... First of all: se você não conhece a pessoa e os problemas que geraram e que geram essa depressão, evite dar qualquer conselho! Sério, qualquer um! Exemplos:
"saia com seus amigos" - cara, a pessoa pode estar assim justamente por não achar que tem amigos.
"fique com sua família" - dude, as vezes o maior problema dessa pessoa é o convívio familiar.
"saia mais, viaje" - a pessoa pode estar mal pois não tem grana para sair, para viajar, para nada.
"ajude animais e pessoas mais necessitadas" - pqp, estou ficando louca ajudando meu avô de 89 anos com demência, meu cachorro morreu de uma forma horrível no final do ano passado e para a grande surpresa geral da nação eu sou hiper empática, portanto eu me sinto mal por estar mal sabendo que tem pessoas que deveriam estar pior que eu.
Essa coisa chamada depressão é uma doença. Você pediria para alguém que está com uma bela gripe, ou seja, com dores no corpo, febre, dor de cabeça e tal, ir ajudar uma pessoa com dengue hemorrágica, pois ela está num estado bem pior e isso a fará se sentir melhor? Como isso fará a pessoa se sentir melhor??? É capaz dela desmaiar no colo da outra pessoa, pois mesmo sendo uma "gripinha" ela está fraca e doente. Que tal um melhorar primeiro para ajudar o outro?
Depressão não é "estado de carência"! É você se sentir sozinha, se sentir invisível, se sentir sem valor, sem importância. As pessoas conversam com você, elas ficam do seu lado por um tempo, mas você sabe que ela irão embora, que é momentâneo, que você não pode de fato contar com elas, pois o que são você e seus problemas para elas? Oras, nada. Cada um tem sua vida. E quem está com depressão perdeu as rédeas da sua vida.
Eu quero sair, eu quero fazer coisas, mas quando eu começo a me mexer para fazer isso meu corpo desaba e fico deitada na cama, o dia todo se me deixarem.
Então, se você quer dar um conselho, fala para a pessoa procurar ajuda, indique profissionais da sua confiança, leve a pessoa até lá. Não sugira que ela saia, faça ela sair, não espere ela pedir uma carona, pois ela NÃO vai pedir enquanto estiver no buraco profundo da depressão.
"Você está melhor?" daí no dia seguinte: "Você está melhor?"
Segredo: Depressão não melhora do dia para noite. É loooongo tratamento. Então não, NÃO estou melhor (ainda). E se amanhã for perguntado isso novamente, a resposta ainda será NÃO.
Mas respondemos que sim, que estamos melhorando, que estamos levando, tudo isso para tentar parar de ouvir essas perguntas. Se você sabe que a pessoa está depressiva, então não pergunte sobre isso, fale de outras coisas, qualquer coisa. Visite a pessoa, traga algo para ela (um bibelô, um doce, uma quinquilharia qualquer), faça a pessoa se sentir importante e não uma pessoa doente, um problema. Ela está convivendo com esse problema, então não fique lembrando disso a todo momento.
Antes de passar por isso eu também fiz isso, achava que mostrando interesse, perguntando como a pessoa estava ajudava, mas descobri que não. Enfim, vivendo, sentindo na pele e aprendendo.
Bem, hoje foi isso, umas dicas sobre como tratar com um depressivo! ;)
quarta-feira, 2 de maio de 2018
Diário de uma depressão (parte 1)
Depressão.
Ou você já teve ou conhece alguém que teve ou já ouviu falar sobre isso.
Eu tenho, melhor, eu estou convivendo com ela.
"Então você chora o tempo todo?"
"Então você quer se matar?"
"Ahh... Mas você tem família, casa, trabalha, você tem tudo para ser feliz! Você não pode ter depressão!"
Sinto muito informar, mas é bem diferente disso que normalmente pensamos quando se trata de depressão. É muito mais complexo. É muito mais difícil.
Não é algo só da cabeça, quem me dera se fosse. É físico. Não é que você não QUER se levantar, você não tem FORÇA para se levantar.
Você olha o seu quarto e tudo está uma bagunça, você SABE quem tem que arrumá-lo, mas tudo o que você consegue fazer e se jogar na cama e ficar ali, imóvel. A melhor coisa que acontece é quando você consegue dormir, pois a sensação de culpa e de impotência passa, pelo menos por aquele momento.
Você sabe que tem que se arrumar e ir trabalhar, você SABE. Mas passam os minutos e você ainda ainda está sentada na cama pensando em COMO se vestir, COMO escovar os dentes e se maquiar, e COMO sorrir para todos e dizer "tudo bem". É mais um dia, é uma uma tortura.
Não sei como é nos outros casos, mas no meu só sei que eu não quero comer. Comida me enjoa, sinto arrepios ao olhar um prato. O desconforto da fome é melhor que o desconforto em comer. Tento lutar contra, tento me forçar a comer, mas meu corpo não aceita. Minha mente não aceita.
Decidi escrever esse diário pois preciso colocar isso para fora, preciso reencontrar algo que eu goste. Não tenho mais vontade de ler, não tenho mais vontade de ouvir música, de comer, de sair. Quem sabe me reencontro na escrita novamente.
Serão relatos sobre o que sinto, sobre o que fiz ou o que eu ouvi. Serão histórias de alguém no meio de uma depressão.
Ou você já teve ou conhece alguém que teve ou já ouviu falar sobre isso.
Eu tenho, melhor, eu estou convivendo com ela.
"Então você chora o tempo todo?"
"Então você quer se matar?"
"Ahh... Mas você tem família, casa, trabalha, você tem tudo para ser feliz! Você não pode ter depressão!"
Sinto muito informar, mas é bem diferente disso que normalmente pensamos quando se trata de depressão. É muito mais complexo. É muito mais difícil.
Não é algo só da cabeça, quem me dera se fosse. É físico. Não é que você não QUER se levantar, você não tem FORÇA para se levantar.
Você olha o seu quarto e tudo está uma bagunça, você SABE quem tem que arrumá-lo, mas tudo o que você consegue fazer e se jogar na cama e ficar ali, imóvel. A melhor coisa que acontece é quando você consegue dormir, pois a sensação de culpa e de impotência passa, pelo menos por aquele momento.
Você sabe que tem que se arrumar e ir trabalhar, você SABE. Mas passam os minutos e você ainda ainda está sentada na cama pensando em COMO se vestir, COMO escovar os dentes e se maquiar, e COMO sorrir para todos e dizer "tudo bem". É mais um dia, é uma uma tortura.
Não sei como é nos outros casos, mas no meu só sei que eu não quero comer. Comida me enjoa, sinto arrepios ao olhar um prato. O desconforto da fome é melhor que o desconforto em comer. Tento lutar contra, tento me forçar a comer, mas meu corpo não aceita. Minha mente não aceita.
Decidi escrever esse diário pois preciso colocar isso para fora, preciso reencontrar algo que eu goste. Não tenho mais vontade de ler, não tenho mais vontade de ouvir música, de comer, de sair. Quem sabe me reencontro na escrita novamente.
Serão relatos sobre o que sinto, sobre o que fiz ou o que eu ouvi. Serão histórias de alguém no meio de uma depressão.
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