terça-feira, 26 de junho de 2018

Diário de uma depressão (parte 5) - Claustrofobia

By Google: medo mórbido de permanecer em espaços fechados.

  Verdade, tenho que concordar com o Google, mas é além de "espaços fechados". Não é só porque você está numa sala com janelas e portas trancadas. Oh não.... é muito mais louco do que isso.

  Pensa numa situação: você senta numa sala de aula, está calor, então as janelas estão abertas, daí a sala vai enchendo, enchendo, alunos vão sentando nas cadeiras que estão do seu lado, na sua frente. Isso é normal, qual o problema disso? A janela está aberta, a porta tá ali, é só você pedir licença e sair se precisar.
  SQN (só que não). Infelizmente não é assim se você tem claustrofobia.
  No meu caso, isso é um pesadelo! O fato de ter cadeiras e pessoas ao meu redor, dificultando minha passagem acaba comigo.

  Como assim?

 Nessa parte entra minha ansiedade, ela não deixa meus pensamentos em paz, ela fica martelando coisas, hipóteses, situações loucas e improváveis e cochichando "não vai dar certo, não vai..."
  Daí, estou lá sentada, querendo prestar atenção na aula, mas só penso em "se eu passar mal e precisar sair correndo não vou conseguir, tem 3 pessoas do meu lado, e aquele último está com a perna cruzada!". "E se tiver uma emergência, eu não vou conseguir sair daqui!". "E se me der uma dor de barriga?". "Olha, tem uma cadeira na frente da porta, não vou conseguir sair..."
  Todos esses pensamentos vão se acumulando, se somando. No final, eu já não consigo prestar atenção à aula, apenas a esses pensamentos.
  Durante esse primeiro semestre, por três vezes perdi a consciência na sala de aula. Foram apagões rápidos, as pessoas pensaram que eu estava cochilando. E em todas as vezes a sala estava cheia, tinha pessoas no caminho até a porta.

  Metrô lotado. É desconfortável para qualquer um. Aquilo é impossível! Credo!
  Mas para pessoas como eu é muito, muito pior. Eu entro no vagão, até então é tranquilo. Entra gente, depois entra mais gente, daí mais pessoas entram e na próxima estação toda a torcida do Corinthians entra também. Fica quente, fica sem espaço, as pessoas estão uma sobre a outra.
  Só que pode piorar, se a sua cabeça não te ajuda ela piora muito a situação. Então fico sem ar, não consigo respirar, não consigo fazer meus pulmões se mexerem (é como se eles estivessem comprimidos). O lugar vai ficando cada vez mais quente. Minha pressão despenca e tenho certeza que vou desfalecer.

  Isso já me aconteceu em show, em metro, em ônibus. E em todas as vezes em ficava tão mal que já chegou no ponto de um segurança do metrô achar que tinham me estuprado no vagão....

 É difícil explicar, as pessoas acham que frescura, que é besteira pois você "não está acostumada". Só que não é. Simplesmente não é.
 

Diário de uma depressão (parte 4) - Alimentação


Pode parecer, mas isso não é uma liquidação de remédios usados!
Esses são os remédios receitados para mim nas 4 vezes que fui ao médico por problemas alimentares.

Eu estava vomitando tudo o que eu comia, até o que eu nem comia (por exemplo, eu já acordava enjoada, abraçada na privada) - e antes que alguém pense, comente, ou afirme: NÃO, NÃO ESTOU GRÁVIDA.

E isso por semanas! Por 3 semanas para ser mais precisa.

"Nossa, que delícia, pastel" - lá se foi o pastel 10 minutos depois.
"Oba! Rodízio japonês!!!" - adeus almoço gostoso, hora de dar tchau.
"Vou comer algo leve, um abacate com açúcar e vou tomar chá." - blaaaaah, nem frutinha ficava no estômago

Ok, estava de saco cheio e fui no pronto socorro. Sei lá, quem sabe era uma infecção, um problema no fígado, um cálculo, um câncer, um aliens....

Na primeira consulta: "hummm não deu nada na sua urina, não deu nada no seu exame de sangue, nem no ultrassom. Vamos tratar como uma gastrite." - ok, não seria a primeira, nem a segunda vez que a minha gastrite dá um "oi". Mas eu sabia que não era. Não tinha queimação, e tanto fazia comer limão ou gelatina, eu passava mal da mesma forma.

Uma semana depois, depois de até passar mal com o remédio de enjoo inclusive, voltei no Pronto Socorro. Os mesmos exames, e os mesmos resultados. "Vamos usar um remédio que deixa a comida menos tempo no seu estômago, assim evita de você vomitar." - adorei a ideia!!! - "E outra, você já teve aquelas doideiras de bulimia, anorexia, etc???"
-- Isso me deu estalo! Sempre que eu fico MUITO, mas MUITO ansiosa / estressada / nervosa eu vomito. Hummm.... Poderia ser psicológico???? Mas e essa dor que sinto? Nem estou tão nervosa assim, isso é físico! ---
Bem, pela primeira vez um médico me sugeriu que eu procurasse um psiquiatra. Mas mesmo assim ela falou para que eu marcasse um clínico geral para investigar melhor.

Nessa altura eu já tinha emagrecido 8 kg.

Então tá, vamos fazer mais exames, receber mais resultados negativos. Fui num clínico geral, num gastro, fiz endoscopia, mais ultrassom, mais exame de sangue..... Depois de 5 meses nessas idas e vindas, desisti. Realmente, problema físico eu não tinha nenhum!

Tudo o que eu sentia eram reações da minha ansiedade, da minha depressão.

Eu não podia mais controlá-la e ela dominava não só minha mente, mas meu agora corpo também. Nem preciso dizer que ter consciência disso me deixou mais depressiva.